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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Gilberto Gil



O músico e político brasileiro Gilberto Passos Gil Moreira nasceu no dia 26 de julho de 1942, no bairro do Tororó, em Salvador, Bahia.

Seu pai, o médico José Gil Moreira e sua mãe Claudina, em busca de uma vida melhor, mudam do bairro pobre da capital baiana para o interior do Estado, em Ituaçu, à época um lugarejo com cerca de oitocentos habitantes. Ali Gil passou os primeiros oito anos de vida. Deste período o artista registra a influência das músicas ouvidas, sobretudo no rádio:

"...os meus primeiros momentos de ouvir música, tudo se passou numa época em que Luiz Gonzaga, principalmente lá no Nordeste, onde eu vivia, lá na caatinga, era praticamente o canto mesmo da região..." Gilberto Gil

Com oito anos volta para Salvador, onde estuda no Colégio Maristas, e freqüenta uma academia de acordeon. Quando estava no secundário, recebeu da mãe um violão e conhece o trabalho de João Gilberto, que lhe influencia de imediato.

Nos tempos de faculdade de Administração, Gil conhece Caetano Veloso, sua irmã Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Realizam a primeira apresentação na inauguração do Teatro Vila Velha em junho de 1964 - com o show "Nós, Por Exemplo".

Formou-se em 1965 e muda-se com a esposa Belina para São Paulo.

Formado em administração de empresas, seu primeiro emprego em São Paulo foi na Gessy Lever.

Em fins de 1968, Gil e Caetano Veloso, cuja importância no Brasil era, e é, de certa forma comparável à de John Lennon e Paul McCartney no mundo anglófono, foram presos pelo regime militar brasileiro instaurado após 1964 devido a supostas atividades subversivas, de que foram taxados.

Ambos exilaram-se por ocasião do AI-5 (Ato Institucional 5) do governo militar em vigência no Brasil a partir de 1969 em Londres.

Nos anos 1970 iniciou uma turnê pelos Estados Unidos e gravou um álbum em inglês. De volta ao Brasil, em 1975 Gil grava Refazenda, um dos mais importantes trabalhos que, ao lado de Refavela, gravado após uma viagem ao continente africano, e Realce, formariam uma trilogia RE. Refavela traria a canção Sandra, onde, de forma metafórica, Gil falaria sobre a experiência de ter sido preso por porte de drogas durante um excursão ao sul do país e ter sido condenado à permanência em manicômio judiciário, ou conforme denominação eufemística, casa de custódia e tratamento, entretanto designada por Gil como hospício.

Fechamento da trilogia, Realce causaria certa polêmica quando alguns considerariam a canção título como uma ode ao uso de cocaína, isto talvez explicitado pelos versos: realce, quanto mais purpurina melhor.

Ao lado dos colegas Caetano Veloso e Gal Costa, lançou o disco Doces Bárbaros, do grupo batizado com o mesmo nome e idealizado por Maria Bethânia, que era um dos vocais da banda. O disco é considerado uma obra-prima; apesar disto, na época do lançamento (1976) foi duramente criticado.

Doces Bárbaros foi tema de filme, DVD e enredo da escola de samba GRES Estação Primeira de Mangueira em 1994, com o enredo Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu, puxadores de trio elétrico no carnaval de Salvador, apresentaram-se na praia de Copacabana e para a Rainha da Inglaterra. O quarteto Doces Bárbaros era uma típica banda hippie dos anos 1970.

Inicialmente o disco seria gravado em estúdio, mas por sugestão de Gal e Bethânia, foi o espetáculo que ficou registrado em disco, sendo quatro daquelas canções gravadas pouco tempo antes no compacto duplo de estúdio, com as canções Esotérico, Chuckberry fields forever, São João Xangô Menino e O seu amor, todas gravações raras.

Trabalhou com Jimmy Cliff com quem fez, em 1980, uma excursão, pouco depois de ter feito uma versão em português de No Woman, No Cry (em português, Não chores mais) sucesso de Bob Marley & The Wailers que foi um grande sucesso, trazendo a influência musical do reggae para o Brasil.

Originalmente idealizado para a montagem do ballet teatro do Balé Teatro Guaíra (Curitiba, 1982), o espetáculo O Grande Circo Místico foi lançado em 1983. Gil integrou o grupo seleto de intérpretes que viajou o país durante dois anos com o projeto, um dos maiores e mais completos espetáculos teatrais já apresentados, para uma platéia de mais de duzentas mil pessoas. Gil interpretou a canção Sobre todas as coisas composta pela dupla Chico Buarque e Edu Lobo. O espetáculo conta a história de amor entre um aristocrata e uma acrobata e da saga da grande família austríaca proprietária do Grande Circo Knie, que vagava pelo mundo nas primeiras décadas do século.

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de Mágoa e Seca d´Água; é de Gil a autoria da composição de Chega de Mágoa. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

Dentre as inúmeras composições consagradas pelo próprio Gil e na voz de outros intérpretes, estão: Procissão, Estrela, Vamos Fugir, Aquele Abraço, A Paz, Sítio do Pica-Pau Amarelo, Esperando na Janela, Domingo no Parque, Drão, No Woman no Cry, Só Chamei Porque te Amo, Não chores mais [Woman no cry], Andar com Fé, Se Eu Quiser Falar Com Deus, Divino maravilhoso, A linha e o linho, Com medo com Pedro, Objeto sim objeto não, Three Little Birds, Ela, Pela Internet, A Novidade, Morena, A Raça Humana, Palco, Realce, Divino maravilhoso, e outras.

Compôs para dezenas de artistas, como Elis Regina, Simone, Maria Bethânia, Gal Costa, Zizi Possi, Daniela Mercury, Carla Visi e Ivete Sangalo.

NA POLÍTICA

Em 1989, mesmo gravando, fazendo espetáculos e se envolvendo em causas sociais, elegeu-se vereador em Salvador, sua cidade natal, pelo Partido Verde (PV).

Em janeiro de 2003, quando o presidente Luís Inácio Lula da Silva tomou posse, nomeou-o para o cargo de ministro da Cultura, nomeação que originou severas críticas de personalidades como Paulo Autran e Marco Nanini em entrevistas à Folha de São Paulo.

Entretanto, permaneceu no cargo de ministro por cinco anos e meio. Deixou o ministério em 30 de julho de 2008 para voltar a dedicar-se com maior exclusividade à sua vida artística. Em 28 de agosto participou da solenidade de posse oficial de seu sucessor no ministério, Juca Ferreira.

De 1989 — 1992 foi vereador na Câmara Municipal de Salvador (teve exatos 11.111 votos)

De 2 de janeiro de 2003 — 30 de julho de 2008 foi ministro da Cultura.

FESTIVAIS, TROPICALISMO E A DITADURA

A primeira apresentação de Gilberto Gil em São Paulo ocorreu em 1965 quando cantou a música Iemanjá, no V Festival da Balança, festival universitário de música promovido pelo Diretório Acadêmico João Mendes Jr. da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. O Festival organizado pelo estudante de Direito Manoel Poladian, que mais tarde viria se tornar produtor musical, foi gravado pela gravadora RCA, e trata-se da primeira gravação em disco de Gilberto Gil e também de Maria Bethânia que participou do Festival com a música Carcará, o primeiro grande sucesso radiofônico, que a tornou nacionalmente conhecida.

Com Domingo no Parque, ao lado de Os Mutantes, causou sensação no Festival de Música da Record em 1967.

Gil foi também o único latino a participar do Festival da Ilha de Wight, em 1970, representando a Tropicália, ao lado dos maiores astros do rock-pop mundial da época, como The Who, Jimi Hendrix, Emerson, Lake and Palmer e The Doors.

Quando se realizou o III Festival de Música Popular Brasileira, produzido pela Rede Record, apareceram várias composições que tiveram enorme êxito junto ao público brasileiro e entre elas estavam Domingo no Parque, de Gilberto Gil e Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, que seriam o carro-chefe do tropicalismo, surgido "mais de uma preocupação entusiasmada pela discussão do novo do que propriamente como movimento organizado".

Tropicália, canção de Caetano Veloso, é um autêntico exemplo da verdadeira revolução operada na estrutura letrista da canção popular e da necessidade de se reestudar então os critérios de avaliação e compreensão da nova linguagem utilizada.

Em confronto com a Bossa Nova, o tropicalismo teve como preocupação principal os problemas sociais do país, aliada a uma ideologia libertadora, a um inconformismo diante da maneira de viver do povo brasileiro, o que gerou uma crescente onda de participação popular, em face dos agravantes problemas por que sofria a nação. Já a Bossa Nova quis mostrar uma nova concepção musical, calcada na versatilidade que a música brasileira oferece.

Os responsáveis diretos pelo tropicalismo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé, Rogério Duprat e outros, sem dúvida alguma, deram um salto a mais na modernização da música popular, buscando formas alternativas de composição e explorando uma concepção artística de mudança radical, dentro de um clima favorável. Foi impressionante sua importância nesse sentido, pois, sendo o último grande movimento realizado no país, deixou marcas que seriam cultivadas com o amadurecimento de seus próprios criadores e daqueles que seguiram sua linha de pensamento.

Caetano Veloso e Gilberto Gil, líderes do tropicalismo, também estavam entre aqueles que tiveram cerceadas suas carreiras no Brasil, em seu período mais repressivo. Através de músicas de protesto e do próprio tropicalismo, lançaram a semente da conscientização e agitaram a opinião pública, sendo então enquadrados na lei de segurança nacional e expulsos do país. Seguiram para Londres, onde, segundo alguns fãs, viveram uma de suas melhores fases, no setor artístico.

Compondo em inglês, conquistaram facilmente o público europeu; livres da influência da repressão, puderam deixar fluir em suas composições toda liberdade de expressão a que tinham direito.

Somente retornariam ao solo pátrio, em 1972. Apresentando-se no programa Som Livre Exportação, declararam publicamente que continuariam trabalhando em prol da música popular brasileira.

PRÊMIAÇÕES E DEFESA PELA LIBERDADE DIGITAL

3 de setembro de 2003 - recebe o Grammy Latino prêmio de Personalidade do Ano em Miami;

Maio de 2005 - recebe o Polar Music Prize do Rei Carlos XVI Gustavo da Suécia;

15 de dezembro de 2006 - é premiado com o título Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro.

Gilberto Gil é um dos principais defensores do Software Livre e da Liberdade Digital. Em 29 de janeiro de 2005, durante um debate sobre Software Livre no Fórum Social Mundial 2005, foi muito aplaudido após defender o Software Livre e a Liberdade Digital. Algumas de suas palavras neste debate:

"A batalha do software livre, da Internet livre e das conexões livres vão muito além delas, de seus interesses. É a mais importante, e também a mais interessante, e a mais atual das batalhas políticas. Claro que há uma revolução francesa, ou várias revoluções francesas, a fazer no planeta, seja dentro dos países, seja no comércio internacional. Ainda nos defrontamos não apenas com discursos do século XIX, mas também com realidades do Século 19. Mas não podemos secundarizar o presente. E o futuro." Gilberto Gil

Todo esse movimento visa uma mudança de comportamento social muito maior que repensa a forma como é tratado o direito autoral hoje.

Lembrando que Gilberto Gil participou recentemente de um disco livre promovido mundialmente pela Creative Commons com a música Oslodum.

Em 11 de Março de 2007, o jornal estadunidense The New York Times dedicou uma matéria aos esforços de Gilberto Gil em relação a "flexibilizar direitos autorais". A matéria, intitulada Gilberto Gil Hears the Future, Some Rights Reserved (Gil ouve o futuro, com alguns direitos reservados) elogia o trabalho do ministro da cultura quanto à aliança formada com a Creative Commons em 2003, uma de suas primeiras ações como ministro. “Minha visão pessoal é que a cultura digital traz consigo uma nova idéia de propriedade intelectual, e que esta nova cultura de compartilhamento pode e deve informar políticas governamentais.”, disse Gil.


DISCOGRAFIA:

Salvador (1963)
Louvação (1967)
Gilberto Gil (1968)
Tropicália (1968)
Gilberto Gil (1969)
Copacabana Mon Amour (1970)
Gilberto Gil (Nega) (1971)
Barra 69 - Caetano e Gil Ao Vivo na Bahia (1972)
Expresso 2222 (1972)
Gilberto Gil Ao Vivo (1974)
Refazenda (1975)
Gil & Jorge - Ogum - Xangô (1975)
Refavela (1977)
Gilberto Gil Ao Vivo Em Montreux (1978)
Refestança (1978)
Nightingale (1979)
Realce (1979)
Brasil (1981)
Luar (A Gente Precisa Ver o Luar) (1981)
Um Banda Um (1981)
Extra (1983)
Trilha Sonora de "Quilombo" (1984)
Raça Humana (1984)
Dia Dorim Noite Neon (1985)
Gilberto Gil Em Concerto (1987)
Trilha Somora de "Trem Para As Estrelas" (1987)
Ao Vivo Em Tóquio (1988)
O Eterno Deus Mu Dança (1989)
Parabolicamará (1991)
Acoustic (1994)
Esoterico: Live in USA 1994 (1995)
Oriente: Live in Tokyo (1995)
Em Concerto (1996)
Luar (1996)
Indigo Blue (1997)
Quanta (1997)
Ao Vivo Em Tóquio (Live in Tokyo) (1998)
O Sol de Oslo (1998)
O Viramundo (Ao Vivo) (1998)
Quanta Gente Veio Ver (1998)
Ensaio Geral (caixa com gravações de 1967 a 1977) (1998)
Me, You, Them [Brazil] (2000)
Milton e Gil (2001)
São João Vivo (2001)
Kaya N'Gan Daya (2002)
Quanta Live [Brazil] (2002)
Z: 300 Anos de Zumbi (2002)
Eletrácustico (2004)
Unplugged (2004)
Ao Vivo (2005)
As Canções de Eu, Tu, Eles (2005)
Soul of Brazil (2005)
Gil Luminoso (2006)
Rhythms of Bahia (2006)
Banda Larga Cordel (2008)



Site Oficial:
http://www.gilbertogil.com.br

Marina Lima



Marina nasceu no Rio de Janeiro, mas com apenas 5 anos mudou-se para os Estados Unidos da América com a família. Seu pai trabalhava no Banco Interamericano de Desenvolvimento e foi transferido para Washington. Lá, Marina teve suas primeiras aulas de violão. "Fiquei oito anos vendo o Brasil só nas férias. Detestava morar lá, por isso me apeguei muito à música, sentia muita angústia, O violão me aquecia."
Em terras gringas, teve contato com diferentes culturas. Em casa ouvia música brasileira como Dolores Duran, Maísa, João Gilberto e Nara Leão. Nas ruas, os Beatles eram mania. Uma grande influência foi Tom Jobim, já que nesta época a bossa nova estourava nos Estados Unidos da América.
Aos 12 anos de idade volta para o Brasil, era 1967, época dos época dos famosos festivais de música da Record. Em sua 3ª edição, Gilberto Gil e Os Mutantes cantam "Domingo no Parque" e Caetano Veloso apresenta "Alegria, Alegria". É o início do Tropicalismo, e de mais influências para Marina.
Mas são apenas alguns anos de Brasil e Marina vai para Washington continuar seus estudos de música. Seu irmão, Antonio Cícero, torna-se poeta, Marina pega alguns de seus trabalhos e musicaliza. Os dois são parceiros em composições até hoje.
Sua tia Léia escuta as músicas de Marina e a convence a vir para o Brasil tentar carreira. Já em 1977 "Meu Doce Amor" é gravada por Gal Costa no LP 'Caras e Bocas'. Maria Bethânia quis gravar "Alma Caiada" em seu LP 'Mel', mas a canção foi censurada por causa do verso "eu não me enquadro na lei".
Em 1979, Marina lança seu primeiro disco individual, 'Simples Como Fogo'. "Um disco bem swingado, mas um pouco desigual." Marina hoje considera que se meteu muito nos arranjos e que, por não ter experiência, 'Simples Como Fogo' acabou ficando sem identidade.
Em seu trabalho seguinte, que trazia novas composições com seu irmão Antonio Cícero, Marina resolveu confiar mais no trabalho do produtor. 'Olhos Felizes' saiu em 1980 e ficou bem mais padronizado, homogêneo. A música "Nosso Estranho Amor" contou com a participação de Caetano Veloso.
Já em 'Certos Acordes' (1981), Marina passa a trabalhar as harmonias com os músicos, tática que deu certo. o disco foi elogiado pela crítica, que percebia no trabalho algo novo, pop. Este foi o LP que lançou o hit "Charme do Mundo".
O trabalho seguinte, de 1982, é 'Desta Vida, Desta Arte'. Traz a faixa "Emoções", de Roberto e Erasmo Carlos.
Em 1984 é lançado 'Fullgás', o disco que estoura Marina. 'Fullgás' está cheio de hits, como a música que dá nome ao disco, "Mesmo Que Seja Eu" (Roberto e Erasmo Carlos) e "Me Chama" (Lobão). Marina já tocou com Lobão muitas vezes, e diz ter com ele "uma afinidade de composição enorme". É o próprio Lobão, aliás, que toca bateria nesse disco.
'Todas' é lançado em 1985. A faixa "Nada Por Mim" foi composta por Paula Toller e Herbert Vianna e entregue para Marina gravar. "Eu Te Amo Você", de Kiko Zambianchi, é desse disco.
O lançamento seguinte, 'Todas Ao Vivo' (1986), ganha disco de platina, com 250.000 cópias vendidas. Era de se esperar, dados os vários hits reunidos: "Ainda é Cedo", "Fullgás", "Eu Te Amo Você"... 
'Virgem' (1987) marca um novo ciclo para a cantora. "Gosto muito das músicas desse disco." A música que dá nome ao trabalho foi feita em parceria com o irmão Antonio Cícero. O hit "Uma Noite e 1/2" é desse trabalho também: "Eu sempre corria pelo calçadão do Rio - sempre gostei muito de ginástica ao ar livre, e o clipe de "Uma Noite e 1/2" reproduz isso.", conta a cantora.
'Próxima Parada' (1989), que traz o sucesso "À Francesa", é um disco mais conceitual. Marina vinha de dois grandes sucesso, e fez um trabalho de transição, no qual revê sua posição diante da mídia e do público. "As mulheres são facilmente vistas como enfeite, fetiche, alguns jornais não estavam interessados no que eu tinha a dizer, mas sim no que eles tinham a dizer sobre mim." Nesse sentido, 'Próxima Parada' reafirma sua relação com a música.
Em 1991, assina o nome inteiro pela primeira vez (até então, o público a conhecia só como Marina). 'Marina Lima' é um dos discos preferidos da cantora, quando começa a compor mais sozinha. "Grávida", "O Meu Sim" e "Eu Não Sei Dançar" estão nesse álbum. Além disso, foi o primeiro produzido pelo baixista Liminha.
'O Chamado' (1993) é um disco melancólico, triste, que fala de perdas (Marina Lima perdera seu pai pouco antes) e que fez bastante sucesso. "As pessoas querem um disco pra fazer companhia, então as vezes um disco mais melancólico, um disco um pouco mais introspectivo, ajuda."
'Abrigo' (1995) não traz composições de Marina, é um disco de interpretações. Nele Marina canta Tom Jobim, Rita Lee, Paulinho Moska, Zélia Duncan e outros. Liminha participa.
'Registros à Meia-voz' (1996) foi gravado numa fase difícil de Marina. Ela estava com depressão, tinha perdido a voz e foi obrigada a gravar por exigência do contrato da gravadora. "Foi onde eu entrei em contato musical com a dor."
Com 'Pierrot do Brasil' (1998), Marina começa a dominar a linguagem MIDI, e imbui o trabalho de uma linguagem pop-eletrônica. O disco foi composto em Nova Iorque com Suba, um produtor iugoslavo. 'Pierrot do Brasil' possui até uma homenagem a Kurt Cobain: "Na Minha Mão", parceria dela com Alvin L., cita uma frase de "All Apologies", do Nirvana.
O próximo trabalho é 'Síssi na Sua Ao Vivo', de 2000. Boa parte da músicas fala de desencontros, solidão, e da vida no meio do caos das metrópoles. "Pierrot", "Deixe Estar", "Irremediáveis Mortais", "O Solo da Paixão" e outras músicas de discos anteriores vêm agora em versão ao vivo. "Síssi" é composição sua com Fernanda Young, grande amiga de Marina.
No histórico mês de setembro de 2001, lança 'Setembro', com referências à guerra contra o terror pós-atentados no World Trade Center. O disco marca a volta da voz de Marina à sua antiga forma, e ela ressurge com levadas eletrônicas leves. A foto da capa do CD foi feita por Murilo Meirelles, o mesmo que a clicou no ensaio que fez para a revista Playboy, em novembro de 1999.
Em  março de  2003  foi gravado o 'Acústico MTV Marina Lima'. A obra de uma das maiores cantoras e compositoras do Brasil, revista e em versão unplugged. Mais um  passo  na  carreira  de  uma  das  responsáveis pela introdução do pop no Brasil, e pioneira no estilo hoje seguido por  Adriana Calcanhoto,
Ana Carolina e tantas outras. E, pelo que ela mostrou, tal carreira está longe de acabar.

Em outubro de 2005 Marina Lima volta aos palcos, com o elogiadíssimo show "Primórdios", no novo Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. No repertório, a cantora apresenta quatro músicas inéditas:  "Anna Bella",  "Três",  "Valeu"  e  "Entre as Coisas". E, em 04 de agosto de 2006, Marina lança o 18º disco de sua carreira - 'Lá nos Primórdios'. O primeiro disco produzido pela cantora no seu próprio selo, Fullgás.
A turnê de lançamento do novo CD começa no dia 1º de setembro daquele ano.
Um ano depois de ter arrebatado crítica e público ao estrear no Auditório Ibirapuera, na capital paulista, com o show "Primórdios", Marina Lima volta ao local para gravar um DVD.
No dia 28 de março de 2007 tem início uma nova turnê: "Topo Todas Tour", onde a artista apresenta, além das músicas novas, seus maiores sucessos.
O ano é 2009. A cantora Marina Lima mostra seu novo show "Marina Lima e Trio, em Concerto". No repertório, músicas inéditas e sucessos consagrados de sua carreira, como "À Francesa", "Virgem" e "Fullgás".


Discografia:

Marina Lima - Simples Como Fogo (1979)
Marina Lima - Olhos Felizes (1980)
Marina Lima - Certos Acordes (1981)
Marina Lima - Desta Vida, Desta Arte (1982)
Marina Lima - Fullgás (1984)
Marina Lima - Todas (1985)
Marina Lima - Todas Ao Vivo (1986)
Marina Lima - Virgem (1987)
Marina Lima - Próxima Parada (1989)
Marina Lima - Marina Lima (1991)
Marina Lima - O Chamado (1993)
Marina Lima - A Tug On the Line (1993)
Marina Lima - Minha História - Marina Lima (1994)
Marina Lima - Abrigo (1995)
Marina Lima - Registros à Meia Voz (1996)
Marina Lima - Pierrot do Brasil (1998)
Marina Lima - Brasil Collection, Vol. 38 (1998)
Marina Lima - 1 Noite e 1/2 Remixes (1999)
Marina Lima - Millenium - Marina Lima (1999)
Marina Lima - Síssi na Sua (2000)
Marina Lima - Setembro (2001)
Marina Lima - Acontecimentos - Marina Lima (2002)
Marina Lima - Marina Rock Lima (2002)
Marina Lima - Total - Marina Lima (2002)
Marina Lima - Acústico Mtv (2003)
Marina Lima - Acústico MTV Marina Lima (2003)
Marina Lima - A Bossa de Marina (2003)
Marina Lima - A Arte de Marina Lima (2004)
Marina Lima - I Love MPB: Eu Te Amo Você (2004)
Marina Lima - Série Retratos - Marina Lima (2004)
Marina Lima - Acidule (2005)
Marina Lima - Novo Millenium - Marina Lima (2005)
Marina Lima - Lá nos Primórdios (2006)
Marina Lima - Marina Lima Novelas (2007)

 
Site Oficial:
http://www.marinalima.com.br


Pearl Jam



O embrião do Pearl Jam pode ser encontrado em outras bandas de Seattle, na época em que a cidade ainda não era o grande foco das atenções no mundo do rock’n’roll, como ficou sendo durante a primeira metade da década de 90. Podemos começar dizendo que o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament eram amigos e formaram uma banda de hard-rock chamada de Green River ao lado do guitarrista Steve Turner e o vocalista Mark Arm, mais ou menos na metade da décade de 80. Chegaram a gravar e lançar um disco, chamado "Rehad Doll", além de um EP, pelo selo local Sub Pop. Mas em 1988, a banda resolve se separar, sendo que Arm e Turner formariam logo depois o Mudhoney, uma das bandas primordiais do grunge. Jeff e Stone continuam juntos e, juntamente com o baterista Jeff Turner e o vocalista Andrew Wood, formam uma nova banda, chamada Mother Love Bone. Assinam um contrato com a Geffen Records e lançam em 1989 o EP chamado "Shine" e, em 1990, um álbum chamado "Apple". A banda começa a fazer a sucesso nos EUA, quando, logo depois do lançamento de "Apple", em 16 de março de 1990, morre o vocalista Andrew Wood, vítima de uma overdose de heroína.
Depois disso, Stone e Jeff se separam, mas continuam a compor e escrever músicas. Depois de algum tempo, voltam a se juntar com o propósito de formar mais uma banda. A eles se junta o guitarrista Mike McCready (ex-Shadow), mas faltava ainda um vocalista e um baterista. Por intermédio do amigo e baterista Jack Irons (ex-Red Hot Chilli Peppers), eles conhecem Eddie Vedder, que estava naquele momento trabalhando em uma indústria de petróleo em San Diego (que fica no estado da California, sendo que Eddie nasceu no estado de Illinois), mas que costumava cantar e tocar com alguns amigos nos bares da cidade, em uma banda chamada Bad Radio. Vedder recebe uma fita demo do trio de Seattle (apenas com músicas instrumentais) e gosta do som que ouve. Ele resolve escrever as letras que faltam à essas músicas (reza a lenda que ele foi surfar um dia, e, ao sair do mar, estava com as três letras prontas na cabeça – são elas: "Once", "Alive" e "Footsteps", e possuem ligação entre si), e ele mesmo grava sua performance por cima dos instrumentos na fita e a envia de volta para Seattle. O trio fica impressionado com o que ouve e resolve convidar Eddie para ser o vocal da futura nova banda. Assim, ele vai para Seattle e grava com a banda durante três semanas, sendo que ao final dessas, já estavam se apresentando para o público local.
Ao mesmo tempo que isso acontecia, Chris Cornell, vocalista do Soundgarden e ex-companheiro de quarto do falecido vocalista do Mother Love Bone, resolve formar um banda para fazer um disco em homenagem ao antigo companheiro. Ele contacta Jeff Ament e Stone Gossard, que aceitam fazer parte desse projeto. Estes, por sua vez, levam Mike McCready e Eddie Vedder, e juntamente com o baterista Matt Cameron, também do Soundgarden, formam o Temple of the Dog. Gravam um excelente álbum auto-intitulado, que saiu pela A&M Records em 1991. Depois do fim dessa banda (que desde o início era apenas um projeto temporário para homenagear o carismático Andrew Wood), Jeff, Stone, Mike e Eddie decidem formar definitivamente uma nova banda, e para isso ganham o reforço do baterista Dave Krusen.
Assim, nasce o Pearl Jam. A princípio, o nome da banda seria Mookie Blaylock, que era o nome de um jogador de basquete. Mas eles tiverem que mudá-lo por problemas burocráticos, e Vedder sugere o nome Pearl Jam, que seria uma homengam à uma geléia com poderes alucinógenos que sua avó (chamada Pearl) fazia. Depois de mais algum tempo gravando material para o álbum debut, eles assinam um contrato com a Epic Records, lançando o resultado dessas gravações em agosto de 1991.
Esse resultado é o disco "Ten" (número da camisa de Blaylock no New Jersey Nets), certamente um dos melhores álbuns do grunge, e do rock em geral nos últimos tempos. Possui canções belas e inesquecíveis como "Alive" (o grande sucesso radiofônico do disco, e que levou o Pearl Jam a ser conhecido nos quatro cantos do mundo), "Oceans", "Black" e "Release", outras pesadas e raivosas típicas do grunge, como "Once" e "Why Go", além de outras excelentes por si sós, como "Jeremy" (outro grande sucesso radiofônico, e que possui uma letra auto-biográfica de Vedder, narrando problemas em sua juventude), "Porch" e "Even Flow". Com a excessiva excecução desse disco nas rádios e MTVs, a banda vai ficando bastante conhecida (logo Vedder começa a sentir o peso desse sucesso) e o álbum chega assim ao Top Ten americano. A banda ganha o prêmio de Video of the Year da MTV, com o clip de "Jeremy", além de vários outros prêmios. O destaque final fica por conta das emotivas letras escritas por Vedder, responsáveis em parte pela sintonia imediata do público com a banda. Ele costuma dizer que suas letras são para serem interpretadas por cada um como bem entender, podendo até gerar interpretações distintas dependendo do ouvinte.
Assim, a banda parte para uma grande turnê de divulgação ao redor do mundo, mas sem o baterista Dave Krusen, que saiu no final das gravações desse primeiro disco por problemas pessoais. Matt Chamberlain tocou com a banda nessa turnê. O Pearl Jam também fica conhecido por suas apresentações, cheias de energia e com o carisma de Vedder transbordando em cada uma delas, com seu comportamento no palco e os constantes stage-dives em meio ao público.
Em 1992, a banda participa do filme "Singles", do diretor americano Cameron Crowe. Nesse filme, é feito um retrato da geração grunge de Seattle, e várias bandas da cidade aparecem tocando, como por exemplo, o Alice in Chains. Alguns dos membros do Pearl Jam fazem parte da banda de Matt Dillon, chamada Citizen Dick, sendo que Vedder é o baterista.
Mini-acústico para a MTV A banda participa ainda de um mini-acústico para a MTV, onde eles tocam algumas canções do primeiro disco, além de uma música que saiu na trilha sonora do filme "Singles" (chamada "State of Love and Trust", e que podia perfeitamente ter saído no "Ten", de tão boa que é) e uma música cover de Neil Young, chamada "Rockin’ in the Free World" (que a banda também tocou em vários shows normais).
Nessa apresentação, Vedder protagoniza um show particular ao final, quando ele sobe no banquinho em que estava sentado e com uma caneta escreve vários slogans em seu corpo, em particular, alguns a favor de um instituição ambiental chamada Earth First (ele possui uma tatuagem em sua perna com o logotipo dessa instituição, da qual ele é sócio). O ano de 1992 também marcou a aproximação entre o Nirvana e Pearl Jam, uma vez que, no passado, Kurt Cobain havia hostilizado a banda de Eddie Vedder. Depois de conhecer Vedder pessoalmente, Kurt pediu desculpas em público pelo o que havia dito sobre eles. "I’m not going to do that anymore. It hurts Eddie and he’s a good guy", disse Kurt em uma ocasião. A agenda do grupo em 1992 continua intensa: Vedder ainda acha tempo de participar das gravações do álbum "Recipe for Hate", do Bad Religion, banda do seu amigo Greg Graffin. No quesito shows, a banda abre para vários artistas conhecidos, como Red Hot Chilli Peppers, U2 e Neil Young (com quem fariam uma parceria anos mais tarde), além de serem o headliner da segunda edição do festival alternativo Lollapalooza, organizado anualmente por Perry Farrell (ex-Jane’s Addiction e Porno for Pyros).
Depois desse exaustivo ano, em que o Pearl Jam consolidou de vez o status de ser a grande banda de rock do momento, o grupo volta ao estúdio para gravar o seu segundo disco. Em outubro de 1993 sai então "Vs", outro álbum excepcional. A principio, ele iria se chamar "5 Against 1", mas na última hora a banda resolveu chamá-lo simplesmente de "Vs" (aliás, esse título não está escrito em nenhum lugar do CD, à exemplo do que fez o Led Zeppelin em seu quarto disco). No line-up da banda, nova troca de baterista: Matt Chamberlain saiu para ir tocar no Saturday Night Live Band, e no seu lugar entra Dave Abbruzzese. A banda mostra definitivamente que pode ir além do que faz a maioria das bandas grunges, que nessa época, já estavam fazendo muito sucesso. Possui excelentes canções como "Animal", "Daughter", "Rearviewmirror", "WMA", "Leash" e "Indifference". Cada canção transborda de feeling e garra, mostrando a banda bem entrosada e com composições excepcionais. O disco logo entra no Top Ten americano, tendo atingido a incrível marca de 350.000 cópias vendidas apenas no primeiro dia de seu lançamento. Mas nem tudo são flores: Vedder experimenta cada vez mais o que é ser um "rock star", sendo que isso o incomoda. Mas a banda não diminui o ritmo intenso. Ainda em 1993, Eddie participa de um show no Rock and Roll Hall of Fame ao lado dos ex-membros do The Doors, Ray Manzarek, John Densmore e Rob Krieger. Lá eles cantam três músicas do inesquecível grupo de Los Angeles: "Roadhouse Blues", "Break on Through" e "Light my Fire". Para fechar o ano, a banda aparece em uma apresentação para o MTV Music Video Awards, com Neil Young no palco para a última música, "Rockin’ in the Free World".
Nesse período, a banda começa a se mostrar insatisfeita com a política comercial da Ticketmaster, a empresa americana que controla a venda e distribuição de ingresssos para os shows feitos nesse país. O principal motivo era o preço desses ingressos, que a banda sempre lutou para manter baixo, ao contrário do que efetivamente acontecia. Em maio, eles acionam oficialmente a justiça americana para uma investigação, acusando-os de monopólio, uma vez que não haviam outras empresas para assim promover uma competição, e, consequentemente, abaixar os preços e forçar a melhora dos serviços. Assim, eles rompem com a empresa e passam a promover e organizar os próprios shows, obtendo apoio de vários outros artistas, como o REM, Aerosmith e Neil Young. Isso dificulta bastante a vida da banda, pois a Ticketmaster facilitava bastante esse processo (a despeito do grande lucro que obtinham no final) e eles acabam entrando em um período de baixa, que culmina com algumas brigas internas, ao mesmo tempo em que o Departamente de Justiça Americano desiste de investigar a Ticketmaster. Decepcionados com o mercado artístico e a indústria cultural vigente nos EUA, a banda adota uma postura anti-comercial: param de produzir clips, não tocam mais para grandes audiências, não aparecem em programas de TV, não dão entrevistas à revistas, não usam mais as caixinhas de CDs normais (que aumentam o preço final do produto) para comercializar seus trabalhos e, claro, não usam mais a Ticketmaster para promover seus shows. Aparentemente, a idéia da banda é não se expor demais (virando apenas um "produto" para a MTV e rádios) e fugir dos "fãs de momento", aqueles que só os conhecem pela excessiva exposição da banda pelos meios de comunicação comuns, meios esses que apenas visam o mesmo objetivo da Ticketmaster: lucro comercial.
Ainda em 1994, ocorre um outro fato que não só afeta o Pearl Jam, como também grande parte do cenário musical mundial: Kurt Cobain se suicida no começo de abril. A banda resolve cancelar alguns shows marcados para o verão mostrando-se bastante abalada e consternada com o fato, e, em uma aparição no programa Saturday Night Live, Vedder usa uma camiseta com um K desenhado. Nessa apresentaçao, ele canta um trecho de uma música de Neil Young, chamada "Hey Hey My My (Out of the Blues)". Kurt havia usado uma frase dessa música em sua carta de despedida ("It’s better to burn out than to fade away").
Apesar de todos esses problemas, e de Vedder se mostrar cada vez mais incomodado com o seu status de "rock star", a banda entra em estúdio novamente, e em dezembro de 1994, lança "Vitalogy". O álbum saiu primeiramente em uma edição especial de vinil, passando a ser comercializado também em CD e K7 apenas duas semanas depois. Esse disco mostra um Pearl Jam ainda criativo e contagiante, com Vedder escrevendo ótimas letras e criando excelentes melodias, e os instrumentistas bem afiados e mostrando muita garra (além de uma boa dose de experimentalismos, como na estranhíssima última faixa). Algumas músicas que se destacam são "Last Exit", "Spin the Black Circle" (uma das músicas com maior sonoridade punk do Pearl Jam – o título é uma referência ao fato de "Vitalogy" ter sido também lançado em vinil), "Whipping" (composta originalmente para sair no disco "Vs"), "Better Man" (que Vedder compôs nos tempos de Bad Radio), a belíssima "Corduroy" e a balada "Immortality" (que a banda insiste em afirmar que não é uma homenagem a Kurt Cobain). Apesar disso, o disco não vende tão bem quanto os anteriores, e a tensão aumenta. Ele não chega a ser um fracasso, claro, mas a significativa diminuição de cópias vendidas é diretamente causada pelo biocote que a banda sofre por parte da imprensa em geral, devido à postura anti-comercial adotada por eles. Mesmo assim, o número de vendas mostra que a banda possuia um grande número de fãs fiéis, e não apenas aqueles fãs típicos da MTV, que compram qualquer coisa que a rede de TV promove como sendo "a grande sensação". Dave Abbruzzese é despedido (por motivos até hoje desconhecidos) e Jack Irons (amigo da banda, e ex-Red Hot Chilli Peppers) assume as baquetas no final das gravações do disco, ajudando a amenizar a situação entre os membros originais. Para fechar o ano, Vedder resolve então se desligar rapidamente do Pearl Jam e excursiona com seu projeto paralelo chamado Hovercraft.
Já em 1995, a banda reune-se novamente e lança um novo trabalho, mas na verdade não é um álbum oficialmente do Pearl Jam. Neil Young convidou a banda para tocar em seu novo disco, chamado "Mirrorball", um dos mais pesados do lendário cantor, e com bastante sonoridade grunge. Vedder faz backing vocals em algumas músicas, e por motivos burocráticos (devido ao fato das gravadoras dos artistas serem diferentes), o nome Pearl Jam não sai escrito no disco, sendo que apenas os nomes dos membros da banda são citados no encarte. O Pearl Jam então aproveita algumas gravações e composições dessa experiência, e lança um single chamado "Merkinball", que contém duas ótimas músicas nas quais é bastante nítida a influência que Neil Young causou na banda nesse período, incluindo participação do próprio na gravação. Na mesma época da união com Neil Young, nasce o Mad Season, um projeto paralelo levado a cabo por Mike McCready, Layne Stanley (Alice in Chains), Barret Martin (Screaming Trees) e Baker Saunders (Lamont Cranston). O primeiro disco da banda se chama "Above", e foi lançado em março desse mesmo ano.
Na metade de 1995, a situação entre os membros da banda volta a ficar delicada, após um show em San Francisco, no qual Eddie Vedder deixa o palco após a sétima música alegando estar debilitado fisicamente por causa de algo que comera no hotel. Neil Young, que estava com a banda se preparando para divulgar "Mirror Ball", gentilmente termina o show no lugar de Eddie, mas sem evitar que a banda fique incomodada com Vedder.Eles decidem se separar por algum tempo, para descansarem e tentarem temporariamente levar uma vida normal, cancelando assim os próximos shows agendados.
Mas isso não ocorre. Os membros da banda aparentemente não conseguiram ficar longe da música, e do Pearl Jam em si. Eles voltam a se reunir uma semana após a separação, e depois de fazerem as pazes e traçar novos objetivos, voltam a turnê que fora brevemente interrompida.
Em 1996, voltam ao estúdio e em agosto do mesmo ano, lançam "No Code", que pode ser considerado um marco na carreira da banda. É o disco mais eclético e variado do quinteto, no que diz respeito as influências, sonoridades e estilos. Pode ser considerado por alguns como também o mais comercial, mas isso não faz com que ele seja ruim, muito pelo contrário. Possui excelentes músicas como "In My Tree" (com uma batida tribal empolgante, parecida com a música "WMA" do disco anterior, e que já mostrava como a banda podia variar em suas músicas), "Hail, Hail", "Red Mosquito", "Lukin" (homenagem à Mark Arm, do Mudhoney), a magnífica "Mankind" e a bela e surpreendente "Around the Bend". A banda continua com sua política de não divulgar o álbum comercialmente pelos meios normais, como lançando vídeos pela MTV (a banda só os fez para o disco "Ten"), dando entrevistas e se apresentando em programas de TV. A imprensa em geral, naturalmente, continua a boicotá-los, mas a banda não se comove e continua a fazer aquilo que acredita, e, principlamente, para aqueles que acreditam. Enquanto a imprensa detona o quinteto (e, principalmente Eddie Vedder), vários artistas os defendem, entre eles Michael Stipe, do REM, e Courtney Love, do Hole, dando assim mais credibilidade à banda, e fazendo com que os fiéis e verdadeiros fãs do Pearl Jam continuem os prestigiando.
Obviamente, "No Code" não foi um retumbante sucesso comercial, mas mesmo assim vendeu bem, e a banda parte para um nova turnê de quase dois anos, sempre com bons públicos (a despeito de não estar sendo bancada pela Ticketmaster). É importante dizer também que o grupo perdeu um pequena parcela de fãs antigos, que gostavam mais da época grunge do quinteto, com suas músicas raivosas e pesadas, mas mesmo assim, o Pearl Jam continua sendo uma das melhores bandas do mundo, fato comprovado em cada uma das excelentes faixas desse disco.
Depois da extensa turnê de divulgação, o Pearl Jam volta ao estúdio e passa o resto de 1997 trabalhando em novo material. O resultado é lançado em fevereiro de 1998, e é chamado de "Yield". Boas críticas e vendagens relativamente boas também marcam esse lançamento, mas claro, sem a euforia que marcou os dois primeiros discos da banda, na época em que eles eram as vítimas principais dos tubarões chamados MTV e rádio. Esse disco é bem parecido com "No Code": mostra a banda mais madura e competente em suas composições e arranjos intrumentais, com músicas mais voltadas ao rock’n’roll normal, livrando-se definitivamente do estigma de banda grunge. São vários os destaques do disco, como a contagiante "Brain of J", a bela "Faithfull", "Given to Fly" (que tem uma levada muito parecida com "Going to California" do Led Zeppelin) e a pérola "MFC", que tem um trabalho de guitarras inesquecível. Nesse disco, a banda volta atrás em uma das atitudes da postura anti-comercial levada a cabo por eles, aquela mais afetou os fãs (e por isso mesmo eles acabaram cedendo): a não produção de vídeo-clips. Eles fazem um excelente vídeo para a faixa "Do the Evolution", que é todo feito em desenho animado, produzidos pelo criador do personagem de revistas em quadrinhos e cinema Spawn. O clip é transmitido exaustivamente pela MTV ao redor do mundo. Depois do lançamento do álbum, Jack Irons sai da banda (dizem eles ser uma saída temporária) e Matt Cameron (que havia ficado sem banda depois do fim do Soundgarden) assume as baquetas. Ainda em 1998, dois novos lançamentos da banda: o vídeo "Single Video Theory", onde a banda aparece tocando músicas do último álbum, e o primeiro disco ao vivo do grupo: "Live on Two Legs" (o título é uma referência a um disco do Queen). Nesse álbum, a banda aparece tocando músicas de todos os seus cinco discos, e fecha o álbum com mais um cover de Neil Young, a excelente "Fuckin’ Up".
O ano de 1999 começou com o Pearl Jam participando de um disco em benefício das vítimas da guerra de Kosovo, chamado "No Boundaries" (no Brasil, "Sem Fronteiras"). O grupo aparece com as músicas "Last Kiss" e "Soldier of Love". A primeira é uma bela e simples balada, que tocou exaustivamente nas rádios do Brasil (e que virou um single da banda).
Ainda em 1999, o Pearl Jam volta a trabalhar na gravação de um novo disco, o sexto de estúdio. O resultado é lançado em maio de 2000, e se chama "Binaural". Produzido por Tchad Blake e mixado por Brendan O 'Brian, "Binaural" pode ser comparado com "Yield" e "No Code", por mostrar a banda mais contida, sem o peso e agressividade de antigamente, mas ainda com muita criatividade e competência, sendo bastante visível a maturidade das composições e melodias criadas pelo quinteto. Destaque para as músicas "God's Dice", "Nothing As It Seems" (primeiro single do álbum), "Light Years", "Soon Forget" (apenas Eddie Vedder na voz e ukelele) e "Grievance". A produção de "Binaural" é muito boa, realçando em algumas músicas uma atmosfera meio depressiva e pesada, como em "Nothing As It Seems" e "Sleight of Hand". As composições foram feitas por Stone Gossard, Eddie Vedder e Jeff Ament, ao contrário de antigamente, em que Vedder era praticamente o único compositor da banda. Vale destacar que o grupo continua a distribuir seus álbuns em caixinhas especiais (isso acontece desde o terceiro disco, "Vitalogy"), para evitar que o trabalho chegue mais caro as lojas devido à tradicional caixinha de plástico que é produzida por uma única empresa nos EUA. Outra novidade é o lançamento de diversos "bootlegs oficiais": são discos contendo gravações de show da banda ao redor do mundo, por preços mais acessíveis.
Em 2002, a banda volta ao estúdio para gravar seu sétimo disco, ao lado do produtor de Adam Kasper. Em outubro sai o primeiro single, para a música "I am Mine", e no mês seguinte é lançado "Riot Act". É um trabalho bastante maduro e coeso, que agrada mais aos fãs e críticos do que "Binaural". A banda volta a apresentar também um vídeo, para a canção "I am Mine" (o último tinha sido para "Do the Evolution" do disco "Yield"), além de anunciar que pretende novamente lançar os "bootlegs oficiais", a exemplo da turnê do disco anterior.
Em 2003, os lançamentos da banda foram a coletânea de b-sides "Lost Dogs" e o DVD "Pearl Jam at the Garden", que traz uma apresentação memorável do quinteto em Nova York (sexteto, se contarmos com o tecladista Boom Gaspar), com participações especiais de Ben Harper, Steve Diggle e Tony Barber. Até o momento o grupo já havia lançado dois vídeos: "Touring Band", que traz a banda em ação durante a turnê de "Binaural", além do já citado "Video Single Theory", que traz os bastidores das gravações do disco "Yield". Outro fato importante de 2003 foi o fim do contrato com a Epic, que lançou todos os discos do grupo. Até o momento, a banda ainda não divulgou quem será seu novo parceiro.


Discografia:

Pearl Jam - Ten (1991)
Pearl Jam - Vs. (1993)
Pearl Jam - Vitalogy (1994)
Pearl Jam - No Code (1996)
Pearl Jam - Yield (1998)
Pearl Jam - Live in Two Legs (ao vivo) (1998)
Pearl Jam - Binaural (2000)
Pearl Jam - Riot Act (2002)
Pearl Jam - Pearl Jam (2006)
Pearl Jam - Backspacer (2009)
Pearl Jam - Ten (Reissue) (2009)

 
Site Oficial:
http://pearljam.com


Raça Negra



O Raça Negra foi um dos grupos pioneiros do desenvolvimento do pagode romântico, com um estilo de samba carregado de romantismo.

Liderado pelo vocalista Luiz Carlos, seu início se deu na periferia da Zona Leste de São Paulo em 1983, com um trio. A banda gravou seu primeiro disco (já com sete integrantes) em 1991, oito anos depois de ser criada. Lançando um disco a cada ano, emplacaram inúmeros sucessos como “Cigana”, “Doce Paixão” e “Cheia de Manias” e deu início à era do pagode, o samba paulista, que tomaria de assalto as rádios populares no início dos anos 90. Lançou mais de dezoito discos. O sucesso se manteve por boa parte da década.

O Raça Negra é um dos maiores fenômenos de vendagem da história da música brasileira, já tendo atingido a marca de mais de 33 milhões de cópias vendidas. A música "É tarde demais" está no GUINNESS (livro dos recordes) como a música mais tocada em 1 único dia no mundo.

Reuniu 1 milhão e 500 mil pessoas em um unico show para o dia dos trabalhadores em São Paulo (recorde de público no Brasil). Nos Estados Unidos, reuniu 700 mil pessoas em uma praça publica (recorde de público internacional). Em Angola, na cidade de Cidadela (destruida pela guerra civil), reuniu mais de 80 mil pessoas, em um show que durou mais de 4 horas!



Discografia:

Raça Negra - Raça Negra Vol. 1 (1991)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 2 (1992)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 3 (1993)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 4 (1993)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 5 (1994)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 6 (1995)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 7 (1996)
Raça Negra - Raça Negra Ao Vivo (1996)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 8 (1997)
Luiz Carlos - Meu Charme (1997)
Raça Negra - Raça Negra Vol. 9 (1998)
Luiz Carlos - É Assim Mesmo (1998)
Raça Negra - O Melhor do Raça Negra (1998)
Raça Negra - Millenium - Raça Negra (1998)
Raça Negra - As 20 preferidas da Banda Raça Negra (1998)
Raça Negra - Performance - Banda Raça Negra (1998)
Raça Negra - Raça Negra Ao Vivo 2 (1999)
Raça Negra - Vem Pra Ficar (2000)
Raça Negra - Problema Meu (2001)
Raça Negra - Pérolas - Raça Negra (2001)
Raça Negra - Sem Limites - Raça Negra Vol. 1 (2001)
Raça Negra - Sem Limites - Raça Negra Vol. 2 (2001)
Raça Negra - Gold - Raça Negra (2001)
Raça Negra - Samba Jovem Guarda (2002)
Raça Negra - Dou A Vida Por Um Beijo (2003)
Raça Negra - Me Leva Junto Com Você (2004)
Raça Negra - Raça Negra Ao Vivo 3 (2005)
Raça Negra - Novo Millenium - Raça Negra (2005)
Raça Negra - Raça Negra 23 (2006)
Raça Negra - Roda De Samba (2006)
Raça Negra - As 20 + Acústico (2007)
Raça Negra - Raça Negra Canta Jovem Guarda Vol. 1 (2007)
Raça Negra - Raça Negra 25 anos Ao Vivo 4 (2008)
Raça Negra - Raça Negra Canta Jovem Guarda Vol. 2 (2009)
Raça Negra - Boa Sorte (2010)

 
Site Oficial:
http://www.bandaracanegra.com.br


Camisa de Vênus





Formada por integrantes que eram rockers de carteirinha, fãs de Rush, Led Zeppelin e Elvis, o Camisa de Venus, uma autêntica banda de rock nacional, surgiu em Salvador no início da década de 80, quando Marcelo Nova e Robério Santana, que trabalhavam juntos numa emissora de rádio e TV Aratu, perceberam uma grande afinidade de idéias.
Só que eles precisavam de mais integrantes, os quais foram selecionados na base de convites. Robério que seria o guitarrista convidou Karl Franz Hummel para tocar baixo que por sua vez convidou Gustavo Adolpho Souza Mullen para assumir o controle da bateria.
A banda ainda não tinha nome quando fizeram as primeiras apresentações, em uma platéia formada apenas por amigos. Como todos que iam a essas apresentações reclamavam do som da banda, dizendo que era barulhento e incômodo, Marcelo Nova decide chama-la de Camisa de Venus, por considerar a camisinha realmente um grande estorvo.
Com o novo nome, a primeira apresentação foi em 1982 com a participação de um quinto integrante, o guitarrista Eugênio, que participaria de apenas dois shows.
Ainda em 82, Gustavo Mullen que se dizia cansado de ter que montar, desmontar e carregar a bateria, convida Aldo Pereira Machado para toca-la em seu lugar, Gustavo então, assume a posição de Eugênio ficando com a segunda guitarra.
Esta seria a formação que se seguiria por muitos anos da, como eles próprios se denominavam: "A única banda heterossexual do planeta".
Tendo a sonoridade bastante influenciada pelo rock inglês dos anos 70 e também pelas preferências musicais de Marcelo Nova, que eram Little Richards e Chuck Berry, lançaram seu primeiro compacto ainda em 82 com as músicas: "Controle Total" e "Meu Primo Zé", depois do sucesso de uma fita demo que continha a versão da música "Total Control" do The Clash.
No ano seguinte, em 83, já com uma posição definida no cenário musical de Salvador, é lançado o primeiro álbum, auto-intitulado, contendo entre outras a faixa "Bete Morreu".
Alguns meses depois do lançamento, surgem pressões por parte da gravadora que sugeriu que a banda muda-se de nome, argumentando que com o nome de Camisa de Venus ficava difícil fazer uma boa divulgação.
Mesmo com os produtores ameaçando tirar o disco de catálogo e acabar com a banda, Marcelo Nova e seus companheiros não aceitaram, porque acharam que se dessem liberdade pra gravadora manipular o nome, mais tarde manipulariam a sonoridade e as letras.
O contrato é rompido e eles passam a fazer somente trabalho de palco. Só iriam entrar em estúdio novamente em 1984, para a gravação do segundo disco "Batalhões de Estranhos", que contava com uma sonoridade melhor e mais trabalhada resultado dos dois anos de experiência. Deste disco o maior hit da banda, "Eu não matei Joana D’arc", que bem caracterizava o lado humorístico e sarcástico da banda.
Marcelo Nova, o grande mentor e líder, costumava dizer que o texto do Camisa era debochado, cínico e escroto e que em geral a banda era um mata-borrão sonoro com textos que fugiam a realidade musical na época Marcelo Nova era o motor do Camisa, mas cada um dos componentes tinha autonomia no seu instrumento. Marcelo compunha junto com Karl ou Gustavo, que ajudavam a dar a forma musical às idéias do Marcelo, junto com Robério e Aldo Pereira.
O sucesso parecia inevitável, já que a banda alcançava grandes vendas e o público lotava cada vez mais as casas de shows, mas ocorre uma não aceitação da mídia em geral que estava acostumada a trabalhar apenas com músicas de grande apelo comercial.
Em 1985 é lançado "EP Remix", um mix promocional. Em 86, quando o rock nacional estava no seu auge, o Camisa fortalece sua postura lançando o que seria o primeiro disco ao vivo de uma banda nacional. Intitulado de "Viva", suas características ficam por conta de ter incluído problemas técnicos e tudo o que continha num show, já que não foi submetido a nenhum tipo de censura. Neste disco foi apresentado o grande sucesso "Silvia", música que, segundo o próprio Marcelo, era uma brincadeira de ensaio que eles acabaram levando pro show e na mesma hora o público criou o coro: 'piranha'.
Esse disco mostrava também que a banda continuava fiel ao seu público, não se deixando levar por modismos e tendências.
Mesmo desamparados pela mídia, porque a banda estava dando um pontapé na canela de um esquema que não estava acostumado a levar nenhum beliscão, continuavam levando cada vez mais pessoas para os shows.
O primeiro contato com Raul Seixas acontece nessa época, quando certa vez, o Camisa estava tocando no Circo Voador e Raul foi ver. Marcelo, que conhecia Raul apenas de alguns shows que tinha ido assistir na época de Raul e Seus Panteras, o chamou para o palco e eles tocaram, na base do improviso, um medley de rock ‘n roll misturando "Long Tall Sally" com "Be-Bop-A-Lu-La" e "Tutti Frutti". Marcelo ficou tão emocionado que não conseguia cantar nada, ficou só olhando.
Outros dois grandes sucessos da banda "Só o fim" e "Simca Chambord" , vem juntos com o quarto disco: "Correndo o Risco". A música "Simca Chambord" junta fragmentos dos anos 60, falando dos jipes e tanques que acabaram com toda a classe média.
A polêmica faixa "A Ferro e Fogo" que é tocada por uma orquestra, causou grande alarme na mídia, pois rotulavam o Camisa como uma autêntica banda punk baiana. Ainda neste disco está a música Ouro de tolo, que foi a primeira música de Raul Seixas gravada por Marcelo Nova.
Em 1987 sai o quinto trabalho da banda, o disco Duplo Sentido, sendo assim este o último com a formação original. Neste álbum esta contida a música "Muita Estrela, Pouca Constelação", era o primeira parceria entre Marcelo Nova e Raul Seixas.
Com os sucessos radiofônicos de clássicos como Lena, Hoje, Eu Não Matei Joana Darc, Rosto e Aeroportos, Rotina, Só o fim, Simca Chambord, Deus Me De Grana, Muita Estrela Pouca Constelação e Canalha, a banda continuava a todo vapor e o impacto causado por eles em Salvador nos anos 80 só tinha paralelo aquele proporcionado por Raulzito e seus Panteras nos anos 60. O que mudou foi apenas o modo de expressão, já que o som era muito parecido.
Já bastante envolvido em novos projetos com Raul, inclusive do disco Panela do Diabo que seria lançado em 1989, Marceleza, como costumava ser chamado por Raul, deixa a banda e ai se dá o fim do Camisa de Vênus.
Anos mais tarde, mais precisamente em 1995, Karl Hummel após ver na TV um comentarista dizer que o "Skank era a nova sensação do Rock nacional", toma a iniciativa e liga para Marcelo dizendo que estava na hora do Camisinha voltar.
Com uma formação diferente, já que Gustavo Mullen tinha projetos de tocar com Jonh Paul Jones, a banda volta inicialmente fazendo apenas shows esporádicos pelo Brasil afora, e depois de constatar que o público continuava fiel, perceberam que já era hora de lançar um novo disco e nesse mesmo ano é gravado ao vivo no Aeroanta em São Paulo, o álbum Plugado.
Neste disco estão antigos grandes sucessos aliados a algumas novas canções, como por exemplo "Cidade Bunda" e pela primeira vez em disco a faixa "Bota pra Fudê", que era mais uma das criações do público.
No final do ano seguinte, em 1996, com Marcelo Nova nos vocais, Karl Hummel na guitarra, Robério Santana no baixo, Luiz Sérgio Carlini na outra guitarra, Franklin Paolilli na bateria e, no piano Carlos Alberto Calazans, surge o que seria em definitivo (será??) o último trabalho do Camisa de Venus, o disco "Quem é Você?".
Com participação especial dos Raimundos e na faixa "Don’t Let Be Me Misunderstood" Eric Burdon divide os vocais com Marcelo Nova.
Esta é a história de uma autêntica banda de rock nacional. Uma banda que nunca teve e não tem o reconhecimento merecido pela mídia. Eles lutaram contra o conformismo, sempre mostrando sua postura crítica perante a política e a sociedade.
Um rock ‘n roll puro que mistura elementos da sonoridade de Little Richards e Chuck Berry com rock inglês dos anos 70. Um som contagiante, alegre, bem humorado e ao mesmo tempo crítico e a possibilidade da banda voltar um dia ainda não foi descartada por Marcelo Nova, que segundo suas próprias declarações, eles podem apenas estar dando um tempo.
Camisa de Venus é discoteca básica, essencial, um som sem lubrificante como no rock fuleiro que se pratica hoje. São Paulo já sabia. Mas o resto do Brasil só foi aprender a pegar mesmo com Meu Primo Zé, Bete Morreu e outras obras primas do disco de estréia do grupo de Marcelo Nova. Este é, no mínimo, o melhor punk rock já feito neste país.
Após o retorno na metade da década de 90, o Camisa encerrou suas atividades novamente. Depois disso, houve um espaço de oito anos até a reunião seguinte da banda, que aconteceu em 2004, quando Marcelo & Cia tocaram no Festival de Verão em Salvador, em comemoração aos 20 anos do Camisa. Este show foi registrado pela Som Livre, que lançou um DVD com a apresentação do grupo, além de uma entrevista de 30 minutos com Marcelo Nova. Depois, a banda ainda se apresentou em São Paulo (junto com o Ira!) e em Porto Alegre, para comemorar os 20 anos do show antológico que fizeram por lá, quando estavam começando a estourar no Brasil.


Discografia:

Camisa de Vênus - Controle Total (compacto) (1982)
Camisa de Vênus - Camisa de Vênus (1983)
Camisa de Vênus - Batalhões de Estranhos (1984)
Camisa de Vênus - Viva (1986)
Camisa de Vênus - Correndo o Risco (1986)
Camisa de Vênus - Duplo Sentido (1987)
Camisa de Vênus - Liberou Geral (1988)
Camisa de Vênus - Bota pra Fudê (1990)
Camisa de Vênus - Plugado! (ao vivo) (1995)
Camisa de Vênus - Quem é Você? (1996)

 
Site Oficial:

http://camisadevenusoficial.comunidade.uolk.com.br



Falamansa



O grupo Falamansa surgiu em 1998 com a invasão do forró nas noites de São Paulo. Alcançaram grande destaque nacional pois atendiam a todos os gostos do público, desde do bom e velho forró pé-de-serra até o chamado forró universitário.

Além de comporem suas canções também interpretavam sucessos dos mestres do forró pé-de-serra, tais como: Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Em razão do grande sucesso, logo conseguiram um contrato com a gravadora Abril Music.

Em 2000, temos o primeiro álbum gravado, “Deixe Entrar”, com os sucessos xote dos milagres e rindo à toa. Este trabalho vendeu cerca de 1,5 milhão de cópias sendo considerado um verdadeiro fenômeno musical.

Já no ano de 2001, foi a vez de “Essa é pra vocês!” com destaque para o Trio Virgulino e canção xote da alegria. Em 2003, o CD “ Simples Mortais”, teve como grande destaque a música 100 anos que tocou sem parar nas rádios do país.

O álbum “Um Dia Perfeito” foi lançado em 2004 com uma regravação de Dominguinhos: sete meninas. Em 2005, temos o CD e DVD “MTV ao vivo” que teve a participação de alguns artistas, como: Dominguinhos, entre outros. Os últimos CDs lançados foram "Segue a Vida" de  2007 e  "Essencial" de 2008.


Discografia:

Falamansa - Deixa Entrar... (2000)
Falamansa - Essa é pra vocês (2001)
Falamansa - Simples Mortais (2003)
Falamansa - Um Dia Perfeito (2004)
Falamansa - MTV Ao Vivo (2005)
Falamansa - Segue a Vida (2007)
Falamansa - Essencial (2008)

 
Site Oficial:
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Clube da Esquina



O Movimento
Por Ivan Vilela
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No início dos anos 60, em Belo Horizonte (MG), jovens músicos começam a se encontrar na cena musical da capital mineira. Eles produziam um som que fundia as inovações trazidas pela Bossa Nova a elementos do jazz, do rock’n’roll – principalmente The Beatles –, de música folclórica dos negros mineiros e alguns recursos de música erudita e música hispânica. Nos anos 70, esses artistas tornaram-se referência de qualidade na MPB pelo alto nível de performance e disseminaram suas inovações e influência a diversos cantos do país e do mundo. E é sobre esses músicos, sobre o Clube da Esquina, que falo agora.
Representado por Milton Nascimento, Wagner Tiso, Tavinho Moura, Nélson Ângelo, Fernando Brant, Márcio Borges, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Paulo Braga, Helvius Vilela, Marilton Borges, Murilo Antunes, Lô Borges, Ronaldo Bastos, Flávio Venturini, Beto Guedes e Telo Borges, a turma mineira foi agregando uma constelação de instrumentistas e compositores. Ainda que juntos tenham apresentado uma nova perspectiva musical, o Clube da Esquina não foi visto pela mídia e pelos estudiosos como um movimento. Mas, sem sobra de dúvida, se constituiu apropriando-se de um alicerce oferecido por diversos movimentos musicais e culturais pregressos.

Heranças dos anos 50

Os anos 50 e 60 do século 20 foram marcados por profundas modificações de ordem econômica, política e, conseqüentemente, social em todo o mundo. O movimento da Contracultura iniciado pelos Beatniks nos EUA e o existencialismo francês propiciaram mudanças no meio da juventude do Ocidente e as manifestações culturais refletiam esses novos tempos, em especial a música.
Em 1958, a Bossa Nova surge como uma nova alternativa estética à música popular brasileira. Ela propõe um novo uso melódico das tensões harmônicas e uma abordagem orquestral mais enxuta, tendo o violão – junto à voz – novamente como o centro da cena. E resgatando também os aspectos rítmicos do samba, que desde o samba orquestral dos anos 50 haviam se diluído.
No que toca à questão literária, a Bossa Nova realiza uma mudança de ordem estética. Os poemas das canções, sobretudo no tema amor, tratam das situações de maneira mais feliz e coloquial, menos parnasiana, resgatando a naturalidade contida outrora em Noel Rosa.

Eclodem os anos 60

A partir dos anos 60, começam a chegar ao Brasil a música e a arte pop, representadas sonoramente pelo rock’n’roll. Rapidamente, essa nova música, que estava ligada a uma mudança de comportamento social dos jovens, ganha adeptos no Brasil. Seus seguidores são identificados a partir do movimento da Jovem Guarda.
Agora, uma guitarra aliada a recursos eletrônicos de distorção sonora é que se faz presente. Poeticamente, tratavam de valores buscados pela juventude: a beleza, a ascensão social por meio da aquisição de um automóvel, uma postura “sem compromissos” diante das responsabilidades que se lhes apresentava, enfim, queriam romper com tabus que havia muito norteavam a conduta da juventude, principalmente a sexualidade.

Música de Protesto

Na mesma época, o Brasil era assolado por um golpe militar de direita contra o qual toda a intelectualidade ligada à esquerda se mobilizou. No campo artístico, passa a ser produzida uma música que protesta ante a situação que se configura. Essa música, na produção de alguns de seus principais compositores, começa a trazer a musicalidade de um Brasil mais ligado ao interior, ao camponês e às camadas sociais menos favorecidas. É a música ligada aos Centro Populares de Cultura (CPC). Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Carlos Lira, Marcos Valle, Sidney Miller e Sérgio Ricardo são compositores que se destacam nesse momento.
A juventude intelectualizada do Brasil olha com desprezo para a música produzida pela outra juventude, mais operária, mais suburbana. Nessa época, convivem no cenário musical a música da Jovem Guarda, da Bossa Nova, a Canção de Protesto.
Havia também alternativas mais sofisticadas que fundiam recursos bossa-novistas com temáticas interioranas, partindo assim para uma estilização de ritmos populares, como o baião – Edu Lobo é um exemplo dessa vertente. Aos poucos, a música popular brasileira ia manifestando a sua ubiqüidade.

Alegoria, Paródia e Deboche

Em 1967, surge um movimento de artistas baianos e paulistas intitulado Tropicália, que visava, por meio de alegoria, paródia e deboche, a promover uma autocrítica que implodisse a já assim chamada MPB como um campo consolidado em sua “linha evolutiva”. Esse movimento, de bases intelectuais sólidas, propõe uma nova visita à Jovem Guarda autenticando alguns de seus elementos. Funde o som das guitarras distorcidas ao som orquestral, resgatando a musicalidade contida nos recônditos do Brasil. Propõe uma nova estética literária, mais ligada ao concretismo e não tão próxima de uma abordagem política explícita. Passam a utilizar o ruído (música concreta) como recurso sonoro.
A Tropicália abriu caminho para diversas tendências presentes na música brasileira ocuparem o seu lugar, de modo que tudo passou a fazer parte do novo conceito de MPB.
E, dentro da imensa diversidade sonora produzida até então, o Clube da Esquina reposicionou o espaço da MPB, certificando com qualidade a incorporação dos diversos elementos propostos pela Tropicália e outros movimentos.

Milton Nascimento

Em 1967, Milton Nascimento classificou três músicas – duas próprias e uma com letra de Fernando Brant – para a final do II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. Milton é premiado como melhor intérprete e ganha o segundo lugar com “Travessia”. A partir daí, a carreira de Milton é impulsionada.
Ainda em 1967, ele grava seu primeiro disco, “Travessia”. Em 1968, é convidado a gravar o disco “Courage” nos EUA. O convite revelou o imenso potencial de aceitação de sua música nos EUA. Em 1969, grava no Brasil o disco “Milton Nascimento”. A cada novo disco, Milton se supera como intérprete, como compositor e como instrumentista.

Um novo caminho para a MPB

Em seus três primeiros discos, Milton se apóia na experiência de grandes músicos como Luiz Eça e Dori Caymmi. Isso, por um lado, dá sustentação a seu trabalho e, por outro, faz com que ele mantenha uma sonoridade mais próxima da já existente, reservada aos grandes compositores e intérpretes da MPB.
Não obstante toda a musicalidade dos jovens do Clube, era visível que a sofisticação e os recursos dos elementos sonoros trazidos pela Bossa Nova permaneciam como referência de qualidade da MPB no exterior.
Porém, é em seu disco “Milton”, de 1970, que Milton e os rapazes do Clube da Esquina passam a trilhar um caminho sonoro totalmente próprio, autêntico e mais independente do passado da música brasileira. Esse disco tem como banda de apoio o Som Imaginário, mais Lô Borges e Naná Vasconcelos. Nele, o Clube se faz mais presente nas composições dos irmãos Lô e Márcio Borges e da sonoridade que funde recursos diversos existentes na MPB – como guitarras distorcidas – e inovações – como o uso determinante da percussão na música “Pai Grande”.
A percussão não faz mais o papel de acompanhante rítmico: agora é a de criadora de um evento que corre concomitantemente à voz e ao violão e com um volume maior que o usual das gravações.

O Disco Clube da Esquina

A consolidação de uma linguagem própria se firma com o lançamento, em 1972, do disco “Clube da Esquina”, assinado por Milton Nascimento e Lô Borges. Esse álbum duplo traz a participação maciça de todos os membros do grupo de amigos músicos conhecido internamente como Clube da Esquina.
A sonoridade obtida, o alto padrão de elaboração e a originalidade das composições e arranjos fizeram deste um dos discos antológicos da MPB. A música do Clube da Esquina trouxe diversos elementos novos à MPB, que, com o passar do tempo, se tornaram matéria de uso comum.
Diferentemente da Jovem Guarda e da Bossa Nova, mantiveram uma temática política presente, mas de forma subjetiva. O disco “Milagre dos Peixes” teve que ser feito, em grande parte, à base de vocalises, devido à censura de várias das letras.
As letras das canções em geral revelam uma inclinação a construções mais abstratas, imagens ou metáforas que talvez sejam mais soltas de uma tradição poética da canção brasileira que as costumeiras da época, e mesmo depois. Pouco se encontra da estrutura de romance ou de narrativas, histórias ou situações das quais se pode tirar alguma moral ou mensagem. Acerca disso, há uma interessante afirmação que sintetiza um pensamento literário, no caso de Márcio Borges, mas que em alguma medida pode ser estendido a outros poetas do grupo em suas letras: “Pelo menos não viessem me falar de mensagens... ‘qual é a mensagem dessa letra?’ Como se um poema pudesse funcionar como cabograma ou sinal de fumaça”.

Uma Nova Perspectiva Musical

Milton inaugura uma nova forma de utilização do violão: como um instrumento ao mesmo tempo harmônico e percussivo. No samba e na bossa nova temos um violão batido dentro de um esquema rítmico. Na Tropicália e Jovem Guarda, a utilização do instrumento é feita de forma rasgueada (ou rasgada ou rasqueada é tocar violão passando os dedos ou a palheta pelas cordas correndo, de cima para baixo ou vice-versa, fazendo as cordas soarem; é uma forma não dedilhada de tocar violão), porém ainda respeitando um sistema rítmico predominante. Em Milton, poderíamos dizer que o violão passa a ser um instrumento arrítmico e de cordas percussivas.
Toda a base da música brasileira foi construída dentro de padrões rítmicos binários, ternários e quaternários. Milton desenvolve músicas em compassos quinários (em cinco tempos), além de trabalhar com compassos híbridos (pulsações diferentes numa mesma música). E também a execução de um samba, originalmente binário, em ritmo ternário.
Constróem a ponte com a música de nossos irmãos americanos de língua espanhola. Acabam por resgatar uma África que não veio pela via do samba e nem do candomblé. Trazem uma África mineira, irmã dos congados, moçambiques e caiapós e tambus.
A percussão passa a ter um papel de solista concorrente ao melopoema (o resultado da melodia e letra, a canção). É um evento que acontece à parte do resto sem, no entanto, deixar de compor o todo. São os primeiros a colocar, em algumas canções, a percussão com um volume maior que a própria voz.
A voz, no Clube da Esquina, deixa de ser apenas o elemento que canta os melopoemas e passa a ser um instrumento que canta sem letra, que produz sons pouco usuais. O falsete, por exemplo, longe de ser um último recurso, torna-se alternativa tímbrica.
Conseguem também fazer a fusão do regional com o pop amalgamando os gêneros e estilos. Ouvindo não conseguimos localizar onde começa um e termina o outro. Esse procedimento passa, tempos depois, a ser usual em um segmento chamado World Music.
Criam uma sonoridade orquestral própria que diferia da forma como a Bossa Nova utilizava a orquestra, mais como uma moldura sonora, e da forma como a Tropicália também a utilizou, de forma mais narrativa. No Clube da Esquina temos uma orquestração de caráter mais impressionista, criadora de ambiências sonoras, e que às vezes corre à parte do evento musical que se apresenta.
No disco “Clube da Esquina”, vemos a proposta inusitada de dividir o panorama de escuta do som estereofônico de forma não eqüitativamente balanceada.
Poderíamos pensar no desenvolvimento da harmonia de música popular (progressões harmônicas, dissonâncias etc.) ao longo dos tempos por um caminho que vem de Mussorgsky, Debussy, música de cinema, big bands, simultaneamente, música brasileira e música estadunidense do pós-guerra e Bossa Nova.
Se analisarmos a obra do Clube da Esquina, veremos que, além da incorporação de toda a contribuição trazida pelo desenvolvimento acima exposto, foi criada pelo Clube uma maneira muito própria de harmonizar, visível a partir do disco “Clube de Esquina”. Não é à toa que o violão de Toninho Horta se tornou referência e as harmonias de Milton são as mais surpreendentes.
A sonoridade resultante do encontro desses músicos se tornou uma das principais marcas que acompanhou a música feita pelo pessoal do Clube da Esquina. Uma música em que os instrumentos, combinados, constróem mais do que um simples acompanhamento da canção. Constróem, sim, uma ambiência da qual a canção passa a fazer parte junto de eventos sonoros distintos que acontecem ao mesmo tempo. Como exemplo, vale passar os olhos nos comentários feitos acerca do disco Clube da Esquina.
A influência da música do Clube da Esquina se espalhou por diversos lugares e tendências. Um dia, em conversa informal com Ivan Lins, sugeri que a música de Gonzaguinha continha elementos melódicos presentes na música de Milton, ao que ele me respondeu que não só a de Gonzaguinha, mas a dele também, e frisou: “Milton e Jobim, aprendi muito tocando músicas desses dois”. A influência de Milton e de Toninho Horta, na maneira de compor e tocar a guitarra, é notória na música de Pat Metheny. A própria aproximação de Egberto Gismonti e de Wayne Shorter, que gravaram músicas de Milton, da obra deste, denota a força do trabalho dos mineiros.


Ivan Vilela é músico, professor da USP, diretor da Orquestra Filarmônica de Violas e pesquisa festas ligadas à cultura popular, viola caipira e MPB. Ele prepara um livro sobre o Clube da Esquina e sua contribuição à Música Popular Brasileira.


35 Anos Depois - O re-encontro (2006)
Fonte:

Para que houvesse espaço para tantas pessoas que fizeram parte do Clube da Esquina ao longo dos anos era necessário um local grande e ao menos dois dias, com muitas horas de palco. Amigos reunidos, instrumentos em mãos e um clima nostálgico revelado mineiramente nos sorrisos e abraços entre os artistas: as ruas que foram percorridas por cada um deles dobravam-se e ali, naquele local, formavam uma esquina imaginária.

Nos dias 8 e 9 de dezembro, última sexta-feira e sábado, encontraram-se, no Espaço Funarte Casa do Conde, mais de 80 músicos que representam mais de três décadas de história. São gerações com vários anos que as separam, mas que se unem pela identidade “esquineira” em comum.

“Durante muito tempo o Clube da Esquina ficou sem se reunir por causa da agenda. Mineiro tem isso de cada um ficar na sua, de trabalhar sozinho... e era um sonho poder reunir todo mundo assim de novo. A idéia é repetir esse encontro em outras cidades pelo país, para mostrarmos a força do movimento. É uma oportunidade para a geração mais nova conhecer mais o que foi feito”, explica Toninho Horta, o responsável pela organização do evento.

Milton e Lô, que não compareceram por conflitos de agenda, estavam ali representados pelas suas músicas, “abençoando espiritualmente os shows”, como prefere entender o organizador. Se as duas estrelas principais não puderam subir ao palco, outros tantos estavam presentes: Beto Guedes, Flávio Venturini, Luiz Alves, Márcio Borges, Marcos Vianna, Murilo Antunes, Nelson Ângelo, Nivaldo Ornelas, Paulinho Carvalho, Fernando Brant, etc, etc...

Nostalgias à parte, mais do que simplesmente subir e tocar aquelas canções, era preciso, de certa forma, voltar no tempo: um ajuste minucioso para que os instrumentos soassem como há décadas atrás, diversos familiares convidados para o clima informal e portas abertas ao público. A feliz "coincidência" de realizar o evento durante a comemoração do aniversário de Belo Horizonte foi mais um momento de reforçar a amizade e o contato entre os artistas e o público.


Discografia:

Clube da Esquina (1972)
Clube da Esquina 2 (1978)
Flores do Clube da Esquina (2008)

 
Site Oficial:
http://www.museudapessoa.net/clube